
Meu “Nerd” preferido.
Tenho que estudar. Preciso estudar. Não posso me desconcentrar. Pra ser bem franca, nem deveria estar escrevendo esta carta. É que ela me desvia do percurso que tracei para minha vida, e nesse percurso não cabem distrações ou devaneios. Então, se escrevo, é apenas para deixar bem claro que nada, mas nada mesmo, me fará desistir do que quero. Eu quero passar no vestibular. Para isso, estou dedicando todo o meu tempo, toda minha energia, e até o meu coração, o único que tem me dado um pouco de trabalho... E que volta e meia ele escapa do meu controle e sai por ai passeando despreocupado, do jeito que é comum aos corações desocupados... E foi num desses passeios que ele descobriu você, e logo tratou de convocar meus olhos, esses outros irresponsáveis, pra prestar atenção em alguém que em primeira vista parecia só mais um estudante, compenetrado como todo estudante deveria ser. Foi ali que começou o meu fim... Desculpe-me se pareço dramática, mas minha intuição tem a mania de se antecipar aos fatos... Esta tudo bem, repito incessantemente, tentando convencer a mim mesma de que as coisas estão sobre controle. Somente uma ou outra “coisinha” mudou e, dependendo do ponto de vista pra melhor. Por exemplo, exceção feita aos chocolates, nem tenho sentido muita fome. Além disso, estou dormindo menos – permaneço desperta em todas as aulas. Mas há os intervalos... aliás, como são curtos os intervalos! Mal dá tempo de dar uma volta no corredor. Resta esperar o intervalão, ou as tardes, sobretudo aquelas destinadas a tirar duvidas. Haja duvidas! Elas não cessam! Quando penso que entendi direito um ponto da matéria, logo vem outro, e mais outro, obrigando-me a ficar até bem tarde na escola. E não pode ser outra coisa senão coincidência que na hora da saída eles – meus olhos e meu coração – me avisem que está no ponto de ônibus. Mas nossos ônibus têm destinos diferentes. E assim vou embora todas as noites, me perguntando se, diferentemente dos ônibus, nossos destinos não poderiam seguir os mesmos rumos. Pra não sair muito do chão, trato logo de abrir uma apostila, vou direto para a ultima página, onde colei uma foto sua (pode me processar!). Aí começo a estudar de verdade: inicio por Literatura, buscando um verso que te traduza com perfeição; depois vou para matemática, calculando as horas que me separa de você de sexta até segunda, considerando a probabilidade de ocorre um simulado que altere esse calculo; quando chego à Biologia, detenho-me no estudo minucioso do DNA pra, quem sabe, entender essa historia de “ser único”. Por falar em Historia, fico imaginando como poderia ser a nossa, e quando chego à geografia, percebo que já viajei demais, desafiando as leis da enigmática Física. Resta a Química, essa com certeza a mais “gostosa”. Volto então a Literatura, refugio onde posso encontrar em mestres da poesia o apoio de que preciso para com a coincidência leve, continuar estudando. Nunca foi tão bom estudar... Que venham os simulados e os vestibulares, e você vindo com eles, tanto melhor!
“Nerd” anônimo (por enquanto...)
PS: Esqueci uma matéria! Já sei: verterei essa carta para o Inglês. Assim aproveito para treinar redação nas duas línguas.
M.A.C.S.

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